I travelled through light
I travelled through light, I am not afraid
In this lake of souls
In this lake of souls, I lose all fear
domingo, 24 de outubro de 2010
roupas de frio e um pouco de agasalhos mostravam a silhueta de uma criança com a mão estendida para o nada. era frio e divino, de um tom branco tão alvo quanto as asas das gaivotas que povoavam os céus naquele momento de alguns segundos de incompreensão.
eram duas vozes que brotavam do menino, uma dizia bom dia e a outra pedia ajuda por não saber onde estar. a primeira esboçava um sorriso e a outra abria a boca juntamente com a contração dos olhos enquanto uma lágrima caía abrindo espaço em seu rosto. era cedo, por volta de quinze minutos antes de tudo se corromper com o passar de um homem numa bicicleta.
a cena, assistida por todas as rochas que viviam levando surras do mar, era morta e de uma vivassidade paradoxal. o menino do gorro vermelho ficava respirando aos poucos e sua expiração trazia consigo riscos no ar de vapor gélido d'água.
nada parecia suficientemente bom enquanto o sorriso permanecia aberto e a lágrima de sofrimento não tocava o chão.
aos poucos, a silhueta única ganhou a companhia do tilintar dos sinos de uma bicicleta.
um velho, com vestimentas antigas e de boina que cheirava guardado, chegou ao menino e oferecendo-lhe a mão disse que "se não fosse você, juraria que estava morto e ninguém veio me ver. somente as gaivotas, as rochas e minha bicicleta".
a lágrima tocou o chão, o velho abraçou o menino e ambos deixaram de ser silhuetas e deu pra notar que eram apenas movimentos da fumaça de alguém que fumava perto da praia.
eram duas vozes que brotavam do menino, uma dizia bom dia e a outra pedia ajuda por não saber onde estar. a primeira esboçava um sorriso e a outra abria a boca juntamente com a contração dos olhos enquanto uma lágrima caía abrindo espaço em seu rosto. era cedo, por volta de quinze minutos antes de tudo se corromper com o passar de um homem numa bicicleta.
a cena, assistida por todas as rochas que viviam levando surras do mar, era morta e de uma vivassidade paradoxal. o menino do gorro vermelho ficava respirando aos poucos e sua expiração trazia consigo riscos no ar de vapor gélido d'água.
nada parecia suficientemente bom enquanto o sorriso permanecia aberto e a lágrima de sofrimento não tocava o chão.
aos poucos, a silhueta única ganhou a companhia do tilintar dos sinos de uma bicicleta.
um velho, com vestimentas antigas e de boina que cheirava guardado, chegou ao menino e oferecendo-lhe a mão disse que "se não fosse você, juraria que estava morto e ninguém veio me ver. somente as gaivotas, as rochas e minha bicicleta".
a lágrima tocou o chão, o velho abraçou o menino e ambos deixaram de ser silhuetas e deu pra notar que eram apenas movimentos da fumaça de alguém que fumava perto da praia.
v
eu voltaria em todos os momentos que eu tive música decente pra ouvir e era noite.
eu voltaria com todo ímpeto de concluir coisas aos meus problemas passados.
eu voltaria de leve às camas dos lugares que visitei.
eu voltaria constantemente à minha mente antiga.
eu voltaria com mais força nas noites que saí gritando letras sem sentido acompanhado por instrumentos de seis cordas ou mais.
eu voltaria pensando que não tem como ir pra frente sem regredir um pouco.
eu voltaria até pensar que não é possível conseguir muito se não se tem nada.
eu voltaria ao primeiro texto que escrevi que está guardado ao lado do meu pé esquerdo e eu dizia pra não guardar ou idealizar mundo nenhum.
voltaria aos livros que não li ou não terminei,
voltaria às músicas que escrevi e esqueci,
voltaria aos dias que não saí pra poder me mexer,
voltaria ao saudosismo que fui tratar com seções de três quartos de hora,
volto até hoje ao dia que abri os olhos e notei que eram 15 e 15,
volto ao dia que vi alfa de centauro e divinizei-a achando que aquilo diminuiria algo,
acima de tudo, não há voltas.
eu voltaria com todo ímpeto de concluir coisas aos meus problemas passados.
eu voltaria de leve às camas dos lugares que visitei.
eu voltaria constantemente à minha mente antiga.
eu voltaria com mais força nas noites que saí gritando letras sem sentido acompanhado por instrumentos de seis cordas ou mais.
eu voltaria pensando que não tem como ir pra frente sem regredir um pouco.
eu voltaria até pensar que não é possível conseguir muito se não se tem nada.
eu voltaria ao primeiro texto que escrevi que está guardado ao lado do meu pé esquerdo e eu dizia pra não guardar ou idealizar mundo nenhum.
voltaria aos livros que não li ou não terminei,
voltaria às músicas que escrevi e esqueci,
voltaria aos dias que não saí pra poder me mexer,
voltaria ao saudosismo que fui tratar com seções de três quartos de hora,
volto até hoje ao dia que abri os olhos e notei que eram 15 e 15,
volto ao dia que vi alfa de centauro e divinizei-a achando que aquilo diminuiria algo,
acima de tudo, não há voltas.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
de mente demente
três elefantes correm, eu fico ouvindo os passos calmos no meu quarto, o ecoar me grita ao escuro breu de fim de noite.
dentes de leão roçam meus joelhos e a escuridão é quebrada pelos dentes que a lua mostra como cumprimento. o meu peso é aliviado por todo líquido deixado a esmo no chão do cômodo.
mãos de dedos finos e cheios de pó branco alucinógeno que se limpam aos poucos enquanto caminha sobre a parede cor de hospital - o verde doença que te enoja aos poucos por lembrar do cheiro do éter e ver seringas com sangue velho em sua mente.
crânios irregulares, deformados, sangue e alegria. tão opostos e juntos pelo mesmo motivo: prazer;
e no encontro de duas paredes, na aresta de seu limite havia alguém que encostado comia o próprio corpo.
dentes de leão roçam meus joelhos e a escuridão é quebrada pelos dentes que a lua mostra como cumprimento. o meu peso é aliviado por todo líquido deixado a esmo no chão do cômodo.
mãos de dedos finos e cheios de pó branco alucinógeno que se limpam aos poucos enquanto caminha sobre a parede cor de hospital - o verde doença que te enoja aos poucos por lembrar do cheiro do éter e ver seringas com sangue velho em sua mente.
crânios irregulares, deformados, sangue e alegria. tão opostos e juntos pelo mesmo motivo: prazer;
e no encontro de duas paredes, na aresta de seu limite havia alguém que encostado comia o próprio corpo.
sábado, 10 de julho de 2010
explodir e fazer chover tudo
eram dedos, mais inchados que o normal, correndo para aliviar qualquer tipo de euforia ou vontade de sair correndo sem se cansar, sem perder o fôlego animalesco que nunca foi seu.
abrir a boca e conseguir tocar a nuca com os dentes superiores e dentro da cavidade bucal sair alguém novo, azul, que aos poucos perde a cor, de forma líquida.
os ouvidos estavam cheios, gritantes por si próprios. berrando-lhe informações, ordens e coordenadas.
tudo estava conforme o planejado: uma cadeira de praia no meio de um campo verde vívido, óculos vintage espelhados e negros, um alcatrão dentro de um papel retangular adaptado para o cilíndrico, o resultado da 'fusão' da areia em formato garrafal contendo destilação de trigo e um pouco de cafeína.
um pavio longo, era estendido pela grama por mais ou menos três metros. a sua origem era o umbigo do mesmo que havia aceso um esqueiro zippo metálico e prata.
a faísca comia o fio negro que corria pelo chão, a cada momento o sorrido do garoto aumentava pouco a pouco. os momentos se consumiam juntamente de tragos de alívio. a fumaça saía de seu sorriso de dentes expostos e a faísca chegava perto, até demais.
negro.
dois segundos depois, uma explosão que dava pra ser ouvida de quinze quarterões de distância.
houve um suicídio na Happy Avenue e todos acharam que foram fogos comemorativos.
abrir a boca e conseguir tocar a nuca com os dentes superiores e dentro da cavidade bucal sair alguém novo, azul, que aos poucos perde a cor, de forma líquida.
os ouvidos estavam cheios, gritantes por si próprios. berrando-lhe informações, ordens e coordenadas.
tudo estava conforme o planejado: uma cadeira de praia no meio de um campo verde vívido, óculos vintage espelhados e negros, um alcatrão dentro de um papel retangular adaptado para o cilíndrico, o resultado da 'fusão' da areia em formato garrafal contendo destilação de trigo e um pouco de cafeína.
um pavio longo, era estendido pela grama por mais ou menos três metros. a sua origem era o umbigo do mesmo que havia aceso um esqueiro zippo metálico e prata.
a faísca comia o fio negro que corria pelo chão, a cada momento o sorrido do garoto aumentava pouco a pouco. os momentos se consumiam juntamente de tragos de alívio. a fumaça saía de seu sorriso de dentes expostos e a faísca chegava perto, até demais.
negro.
dois segundos depois, uma explosão que dava pra ser ouvida de quinze quarterões de distância.
houve um suicídio na Happy Avenue e todos acharam que foram fogos comemorativos.
sábado, 3 de julho de 2010
noite de augusto
Augusto, 31 anos, nascido no inverno, filho de César. Em sua particularidade, Augusto não era tão rico, diferente nem chuvoso quanto os outros, mas em relação à vida, ele a tinha demasiadamente.
Dentro de si, brotavam fetos, com diversos nomes e faces, que choravam ao conhecer os raios solares.
Augusto tinha a principal vontade de se tornar o ser mais infinito enquanto estivesse vivo, mais intenso quanto os outros, mais marcado pelas cicatrizes do medo de não ter medo.
Ao fim da tarde, pegou seus pertences, dentro de um livro que havia sido moldado para lhe servir de cofre quando aberto, seus vícios e seus olhares de perdição.
Atravessou a rua de sua casa, perguntou a qualquer humano que andasse por ali, onde havia uma ponte e um rio fundo. Esperou-se então a resposta e a direção fora obtida.
Alguns passos foram dados enquanto o frio consumia as narinas avermelhadas e a respiração esfumaçada.
Seu traje o protegia de todos agouros da noite escura. Augusto carregava seu pés lentamente ao destino planejado, arrastando-os na neve, marcando-a como trator.
Aproximadamente às 23:59, Augusto estava de pé, com seu alcatrão cilíndrico no lábio, seguido de tragos fortes de vodca barata e russa. Logo após de trinta segundos, ele já estava no meio do caminho entre a ponte e o rio. Seu corpo em queda livre, o ar tirando-lhe a roupa aos poucos e um forte baque marcara o fim de 31 anos seguidos de boemia e desconserto.
Ao Norte da Europa nascia Syyskuu para o mundo, às 0 hora, para o mundo.
[NOTA: Syyskuu significa Setembro em Finlandês]
Dentro de si, brotavam fetos, com diversos nomes e faces, que choravam ao conhecer os raios solares.
Augusto tinha a principal vontade de se tornar o ser mais infinito enquanto estivesse vivo, mais intenso quanto os outros, mais marcado pelas cicatrizes do medo de não ter medo.
Ao fim da tarde, pegou seus pertences, dentro de um livro que havia sido moldado para lhe servir de cofre quando aberto, seus vícios e seus olhares de perdição.
Atravessou a rua de sua casa, perguntou a qualquer humano que andasse por ali, onde havia uma ponte e um rio fundo. Esperou-se então a resposta e a direção fora obtida.
Alguns passos foram dados enquanto o frio consumia as narinas avermelhadas e a respiração esfumaçada.
Seu traje o protegia de todos agouros da noite escura. Augusto carregava seu pés lentamente ao destino planejado, arrastando-os na neve, marcando-a como trator.
Aproximadamente às 23:59, Augusto estava de pé, com seu alcatrão cilíndrico no lábio, seguido de tragos fortes de vodca barata e russa. Logo após de trinta segundos, ele já estava no meio do caminho entre a ponte e o rio. Seu corpo em queda livre, o ar tirando-lhe a roupa aos poucos e um forte baque marcara o fim de 31 anos seguidos de boemia e desconserto.
Ao Norte da Europa nascia Syyskuu para o mundo, às 0 hora, para o mundo.
[NOTA: Syyskuu significa Setembro em Finlandês]
sexta-feira, 2 de julho de 2010
estranhamento casual
Ah! Quanto tempo sem poder gritar aos ventos o que eu deveria ser quando crescer. Quanto tempo perdi olhando na vitrine algum tipo de modelo sobre meu futuro. Não estou aguentando mais essa vida monótona e planejada onde eu tenho que ser na mesma cena o protagonista e o coadjuvante ouvinte que fica lá apenas quieto escutando os dizeres do principal que reclama de tudo.
Seria uma carta pessoal, senão fosse jogada ao lixo como agrado ao passado. Continuava em outro pedaço com início de cinzas no seu canto direito inferior:
Me dê mais pulmões pra eu poder gritar mais alto e cada vez mais tempo, eu realmente quero isso. mas sinto que não seja possível, pois minha válvula de escape acabou de ser destruída por meus compromissos. Não tenho nem mais voz, nem mais vontade de tê-la, pois senão teria que responder aos imperativos vomitados em minha face frente a um homem ao qual não aspiro ser.
Sem sim senhores tudo parece mais fácil, mais confortável, mais humanos, menos hierárquico.
Além desses todos meus gritos marcados por letras ao invés de perturbações no ar, está meu estranhamento com o mundo a qual pertenço. Pois não sei ao certo se sou parte dele, ou ele é parte de mim. Se eu criei tudo isso e apaguei minha memória pra poder ter surpresas todo dia, ou eu apenas fui criado por alguém que quer ter surpresas todo dia.
Se queres saber, não sei nada sobre ninguém e ninguém sabe sobre o nada que sei.
Só sei que não devo mais ser escravo de meus próprios delírios, eu tentarei escravizá-los com minha vontade.
Seria uma carta pessoal, senão fosse jogada ao lixo como agrado ao passado. Continuava em outro pedaço com início de cinzas no seu canto direito inferior:
Me dê mais pulmões pra eu poder gritar mais alto e cada vez mais tempo, eu realmente quero isso. mas sinto que não seja possível, pois minha válvula de escape acabou de ser destruída por meus compromissos. Não tenho nem mais voz, nem mais vontade de tê-la, pois senão teria que responder aos imperativos vomitados em minha face frente a um homem ao qual não aspiro ser.
Sem sim senhores tudo parece mais fácil, mais confortável, mais humanos, menos hierárquico.
Além desses todos meus gritos marcados por letras ao invés de perturbações no ar, está meu estranhamento com o mundo a qual pertenço. Pois não sei ao certo se sou parte dele, ou ele é parte de mim. Se eu criei tudo isso e apaguei minha memória pra poder ter surpresas todo dia, ou eu apenas fui criado por alguém que quer ter surpresas todo dia.
Se queres saber, não sei nada sobre ninguém e ninguém sabe sobre o nada que sei.
Só sei que não devo mais ser escravo de meus próprios delírios, eu tentarei escravizá-los com minha vontade.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
vontade #01
ao lado da mão direita, um copo de algo destilado pra poder acabar com a coceira na garganta que teve pela semana inteira. uma tosse seca como a da porta do seu quarto quando aberta.
seu relógio não tinha ponteiros, pois ele mesmo dizia que ter horas pras coisas era extremamente humano, queria se distanciar deste lado pobre que o mantinha preso às coisas que mais lhe agradavam. o toque. o cheiro. o ser.
tinha em seus fios de cabelo, vontade de arrepios, em seus lábios o gosto de um doce estranho que lhe dava calafrios por ser azedo no fim.
a monotonia não era mais a mesma desde alguns tempos, parara de ser tão excitante quanto fora nos seus tempos boêmios.
as lembranças das luzes cruas que lhe diziam como fora sua voz ontem mostravam que mesmo sem os ponteiros, as engrenagens rodavam fazendo tic tac a cada olhadela pelo passado.
suas medidas deixaram de ser as mesmas, o fato de ter ganho conhecimento lhe pesara agora demasiadamente.
os olhos profundos mostravam que seu sono era inquieto, vivia acordando à noite, pra cutucar o pé de seu dono com uma pena das asas de sua liberdade.
os pés gelados, abraçavam as meias e o sapato, que em conjunto se mexiam aleatória e desesperadamente no banco do bar de balcão alto.
frio. frio. dores constantes de memória. olhos lacrimejantes, respiração alterada e escorrer nasal seguido de mão no rosto.
um tubo cilíndrico e pequeno que continha nicotina, alcatrão e seus artefatos usados para poderem expurgar seus demônios internos, fora aceso ao som de utensílios metálicos geradores de faísca.
a tosse, o bafo controlado de inferno e o copo interminável.
ao seu lado, somente a vontade de se solidificar ali por alguns segundos mais.
seu relógio não tinha ponteiros, pois ele mesmo dizia que ter horas pras coisas era extremamente humano, queria se distanciar deste lado pobre que o mantinha preso às coisas que mais lhe agradavam. o toque. o cheiro. o ser.
tinha em seus fios de cabelo, vontade de arrepios, em seus lábios o gosto de um doce estranho que lhe dava calafrios por ser azedo no fim.
a monotonia não era mais a mesma desde alguns tempos, parara de ser tão excitante quanto fora nos seus tempos boêmios.
as lembranças das luzes cruas que lhe diziam como fora sua voz ontem mostravam que mesmo sem os ponteiros, as engrenagens rodavam fazendo tic tac a cada olhadela pelo passado.
suas medidas deixaram de ser as mesmas, o fato de ter ganho conhecimento lhe pesara agora demasiadamente.
os olhos profundos mostravam que seu sono era inquieto, vivia acordando à noite, pra cutucar o pé de seu dono com uma pena das asas de sua liberdade.
os pés gelados, abraçavam as meias e o sapato, que em conjunto se mexiam aleatória e desesperadamente no banco do bar de balcão alto.
frio. frio. dores constantes de memória. olhos lacrimejantes, respiração alterada e escorrer nasal seguido de mão no rosto.
um tubo cilíndrico e pequeno que continha nicotina, alcatrão e seus artefatos usados para poderem expurgar seus demônios internos, fora aceso ao som de utensílios metálicos geradores de faísca.
a tosse, o bafo controlado de inferno e o copo interminável.
ao seu lado, somente a vontade de se solidificar ali por alguns segundos mais.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
sentido nulo
a fome nos deixa com tanta preguiça por sermos tão gulosos e ficarmos com raiva dos que tem avareza suprema por cobiçarem com tanta inveja e ira os orgulhosos de corpos robóticos que constituem o grupo de pessoas com luxúria infame sendo escravos da vaidade mundana
vapor ladrão de rostos
eram aproximadamente trinta graus entre o ponteiro de horas e de minutos. a noite, escura e medonha, veio aos poucos pedir um pouco de abrigo dentro do cômodo de um pequeno homem.
estava ele, sentado, olhando disfocadamente ao chão que parecia um borrão de cores com tons amarronzados.
o frio veio lhe chamar pra uma dança d'uma valsa quieta e sibilante - variável como a aparição da lua por entre as nuvens.
o homem levantou aos poucos, com dores nas juntas, por estar ali, como estátua, à espera de sua ode. caminhando como um idoso com problemas ósseos, conseguira alcançar aos poucos a maçaneta do banheiro.
deu uma olhadela procurando por algum dos elementos da noite que o convidou pra sair, chamando-os para entrar.
nenhum sinal.
as sobrancelhas ergueram-se como sinal de desapontamento, o corpo retomou sua jovialidade e ao entrar no cômodo azulejado acenou brevemente com a cabeça ao seu reflexo criado no espelho retangular e tosco.
a chuva criada por mecanismos humanos, limpou-o de toda pele que o impedia de poder se locomover corretamente. pelo ralo se foram alguns pedaços de matéria orgânica, idéias vagas, vontades, sonhos incompletos, letras de música escritas na hora...
a substituição substancial ocorrera em alguns minutos e todo o vapor acumulado tomou conta daquele cubículo coberto de azulejos cor de creme.
ao sair, a água que antes saía de pequenos furos acima da cabeça, agora pingava pela ponta dos fios de cabelo do homem.
seu rosto, era nulo, amorfo. todos seus reflexos se foram para o ralo, todas suas personalidades foram limpas com um corrente de água quente.
o ser, agora indefinido, com cabelos e formas semi-contornadas, procurou no seu espelho tosco aonde foram seus reflexos.
ao limpar toda aquela área de vapor d'água com voracidade, encontrou mais vapor acumulado.
ele se viu preso dentro duma câmara de gás, que não era nocivo, não era letal.
apenas roubara sua face do espelho.
estava ele, sentado, olhando disfocadamente ao chão que parecia um borrão de cores com tons amarronzados.
o frio veio lhe chamar pra uma dança d'uma valsa quieta e sibilante - variável como a aparição da lua por entre as nuvens.
o homem levantou aos poucos, com dores nas juntas, por estar ali, como estátua, à espera de sua ode. caminhando como um idoso com problemas ósseos, conseguira alcançar aos poucos a maçaneta do banheiro.
deu uma olhadela procurando por algum dos elementos da noite que o convidou pra sair, chamando-os para entrar.
nenhum sinal.
as sobrancelhas ergueram-se como sinal de desapontamento, o corpo retomou sua jovialidade e ao entrar no cômodo azulejado acenou brevemente com a cabeça ao seu reflexo criado no espelho retangular e tosco.
a chuva criada por mecanismos humanos, limpou-o de toda pele que o impedia de poder se locomover corretamente. pelo ralo se foram alguns pedaços de matéria orgânica, idéias vagas, vontades, sonhos incompletos, letras de música escritas na hora...
a substituição substancial ocorrera em alguns minutos e todo o vapor acumulado tomou conta daquele cubículo coberto de azulejos cor de creme.
ao sair, a água que antes saía de pequenos furos acima da cabeça, agora pingava pela ponta dos fios de cabelo do homem.
seu rosto, era nulo, amorfo. todos seus reflexos se foram para o ralo, todas suas personalidades foram limpas com um corrente de água quente.
o ser, agora indefinido, com cabelos e formas semi-contornadas, procurou no seu espelho tosco aonde foram seus reflexos.
ao limpar toda aquela área de vapor d'água com voracidade, encontrou mais vapor acumulado.
ele se viu preso dentro duma câmara de gás, que não era nocivo, não era letal.
apenas roubara sua face do espelho.
terça-feira, 22 de junho de 2010
rotina
dormir. acordar. reclamar do fim da pasta de dente. sonecar. tomar café. escovar dentes com o fim da pasta. arrumar-se. conseguir levantar da ponta da cama. ir a algum lugar que não é o mesmo que estava acostumado há pouco tempo. almoçar. escovar os dentes com outra pasta, senão a última. olhar no espelho e reclamar dos olhos roxos de cansaço. sonecar indevidamente. cafeína entre os dentes. voltar de onde não devia ter tentado ir. sentir-se como fora algum dia. preparar-se pra poder voltar uns anos. pensar o suficiente pra ficar com fome. ter vontade de olhar o relógio. ouvir vozes ao mesmo tempo de seu pensamento. gritar em silêncio o fim da mesma rotina frente a uma máquina que registra suas idéias remotas. sentir sono. fechar os olhos e não poder dormir. saber se trocar. dentes, novamente. cobertores para o frio, lençóis para o calor, sonhos para jovens idosos.
para frente à tevê e contar quarenta e oito horas de descanso, enquanto faz coisas pra poder se cansar logo. banhos frequentes. maçãs. música. sonhos. realidade. dias. semanas. ano. planejamento indevido. indiferença. diferença demasiada. conflito. sonhos. sono. sono. sono. dormir.
para frente à tevê e contar quarenta e oito horas de descanso, enquanto faz coisas pra poder se cansar logo. banhos frequentes. maçãs. música. sonhos. realidade. dias. semanas. ano. planejamento indevido. indiferença. diferença demasiada. conflito. sonhos. sono. sono. sono. dormir.
Eu poderia até saber logo cedo quando foi a última vez que consegui parar de pensar só por um minuto em quantas coisas podem estar acontecendo no mundo enquanto falo isso pra ti.
Contei até agora alguns segundos na minha mão direita, fiz uma espécie de cronômetro mental pra tentar calcular quantas pessoas podem estar morrendo, matando, nascendo, criando.
Eu não consegui até hoje vizualizar-me fora deste cubículo mental onde as coisas acontecem por acaso do acaso, pois saibas tu que não é nenhum desaforo ouvir que a sorte existe pra pessoas que nascem com ela. Ela, de fato, não existe: é tudo tramóia da oposição. Mas te digo outra coisa: é um azar nascer com sorte, pois você não será nunca o que morre, mata, nasce ou cria, você é o que conta com os dedos direitos quem tem azar de nascer azarado.
Contei até agora alguns segundos na minha mão direita, fiz uma espécie de cronômetro mental pra tentar calcular quantas pessoas podem estar morrendo, matando, nascendo, criando.
Eu não consegui até hoje vizualizar-me fora deste cubículo mental onde as coisas acontecem por acaso do acaso, pois saibas tu que não é nenhum desaforo ouvir que a sorte existe pra pessoas que nascem com ela. Ela, de fato, não existe: é tudo tramóia da oposição. Mas te digo outra coisa: é um azar nascer com sorte, pois você não será nunca o que morre, mata, nasce ou cria, você é o que conta com os dedos direitos quem tem azar de nascer azarado.
pequeno aceno
veio longe, olhando as pessoas que rodeavam com olhar de curioso. Uma criança que aparentava ter seus cinco anos, com seu balão de hélio com duas letras estampadas em formato garrafal num cumprimento d'outra língua - HI.
Poderia contar nos dedos quem acompanhava dos teus joelhos ao balão com os olhos, tendo que levantar a cabeça a fim de chegar no fim do fio que sustentava aquele garoto magro de cabelos lisos.
a neblina que cobria toda ponte - cenário de tal espetáculo - fez os segundos se perdurarem por alguns longos minutos. o garoto que aos poucos foi abrindo a mão pra poder entregar o balão a um estranho que se aproximava, esboçou um sorriso breve de pelo menos dois polegares de distância para cada lado.
o balão sendo livre daquele pouco peso que o prendia àquela altura, foi levantando alguns centímetros acima da mão do garoto como o levantar vôo das pombas d'um parque à tarde.
nem o estranho nem o menino ficaram satisfeitos.
o vento empurrou aquele artefato de bexiga e gás hélio a leste. o garoto parou de sorrir, o estranho foi aos poucos se abaixando, até então chegar ao pé do ouvido do pequeno e dizer: "não precisava me dar nenhum balão.. eu só quero um abraço".
Poderia contar nos dedos quem acompanhava dos teus joelhos ao balão com os olhos, tendo que levantar a cabeça a fim de chegar no fim do fio que sustentava aquele garoto magro de cabelos lisos.
a neblina que cobria toda ponte - cenário de tal espetáculo - fez os segundos se perdurarem por alguns longos minutos. o garoto que aos poucos foi abrindo a mão pra poder entregar o balão a um estranho que se aproximava, esboçou um sorriso breve de pelo menos dois polegares de distância para cada lado.
o balão sendo livre daquele pouco peso que o prendia àquela altura, foi levantando alguns centímetros acima da mão do garoto como o levantar vôo das pombas d'um parque à tarde.
nem o estranho nem o menino ficaram satisfeitos.
o vento empurrou aquele artefato de bexiga e gás hélio a leste. o garoto parou de sorrir, o estranho foi aos poucos se abaixando, até então chegar ao pé do ouvido do pequeno e dizer: "não precisava me dar nenhum balão.. eu só quero um abraço".
Assinar:
Postagens (Atom)