sábado, 3 de julho de 2010

noite de augusto

Augusto, 31 anos, nascido no inverno, filho de César. Em sua particularidade, Augusto não era tão rico, diferente nem chuvoso quanto os outros, mas em relação à vida, ele a tinha demasiadamente.
Dentro de si, brotavam fetos, com diversos nomes e faces, que choravam ao conhecer os raios solares.
Augusto tinha a principal vontade de se tornar o ser mais infinito enquanto estivesse vivo, mais intenso quanto os outros, mais marcado pelas cicatrizes do medo de não ter medo.
Ao fim da tarde, pegou seus pertences, dentro de um livro que havia sido moldado para lhe servir de cofre quando aberto, seus vícios e seus olhares de perdição.
Atravessou a rua de sua casa, perguntou a qualquer humano que andasse por ali, onde havia uma ponte e um rio fundo. Esperou-se então a resposta e a direção fora obtida.
Alguns passos foram dados enquanto o frio consumia as narinas avermelhadas e a respiração esfumaçada.
Seu traje o protegia de todos agouros da noite escura. Augusto carregava seu pés lentamente ao destino planejado, arrastando-os na neve, marcando-a como trator.
Aproximadamente às 23:59, Augusto estava de pé, com seu alcatrão cilíndrico no lábio, seguido de tragos fortes de vodca barata e russa. Logo após de trinta segundos, ele já estava no meio do caminho entre a ponte e o rio. Seu corpo em queda livre, o ar tirando-lhe a roupa aos poucos e um forte baque marcara o fim de 31 anos seguidos de boemia e desconserto.
Ao Norte da Europa nascia Syyskuu para o mundo, às 0 hora, para o mundo.

[NOTA:
Syyskuu significa Setembro em Finlandês]

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