eram dedos, mais inchados que o normal, correndo para aliviar qualquer tipo de euforia ou vontade de sair correndo sem se cansar, sem perder o fôlego animalesco que nunca foi seu.
abrir a boca e conseguir tocar a nuca com os dentes superiores e dentro da cavidade bucal sair alguém novo, azul, que aos poucos perde a cor, de forma líquida.
os ouvidos estavam cheios, gritantes por si próprios. berrando-lhe informações, ordens e coordenadas.
tudo estava conforme o planejado: uma cadeira de praia no meio de um campo verde vívido, óculos vintage espelhados e negros, um alcatrão dentro de um papel retangular adaptado para o cilíndrico, o resultado da 'fusão' da areia em formato garrafal contendo destilação de trigo e um pouco de cafeína.
um pavio longo, era estendido pela grama por mais ou menos três metros. a sua origem era o umbigo do mesmo que havia aceso um esqueiro zippo metálico e prata.
a faísca comia o fio negro que corria pelo chão, a cada momento o sorrido do garoto aumentava pouco a pouco. os momentos se consumiam juntamente de tragos de alívio. a fumaça saía de seu sorriso de dentes expostos e a faísca chegava perto, até demais.
negro.
dois segundos depois, uma explosão que dava pra ser ouvida de quinze quarterões de distância.
houve um suicídio na Happy Avenue e todos acharam que foram fogos comemorativos.
sábado, 10 de julho de 2010
sábado, 3 de julho de 2010
noite de augusto
Augusto, 31 anos, nascido no inverno, filho de César. Em sua particularidade, Augusto não era tão rico, diferente nem chuvoso quanto os outros, mas em relação à vida, ele a tinha demasiadamente.
Dentro de si, brotavam fetos, com diversos nomes e faces, que choravam ao conhecer os raios solares.
Augusto tinha a principal vontade de se tornar o ser mais infinito enquanto estivesse vivo, mais intenso quanto os outros, mais marcado pelas cicatrizes do medo de não ter medo.
Ao fim da tarde, pegou seus pertences, dentro de um livro que havia sido moldado para lhe servir de cofre quando aberto, seus vícios e seus olhares de perdição.
Atravessou a rua de sua casa, perguntou a qualquer humano que andasse por ali, onde havia uma ponte e um rio fundo. Esperou-se então a resposta e a direção fora obtida.
Alguns passos foram dados enquanto o frio consumia as narinas avermelhadas e a respiração esfumaçada.
Seu traje o protegia de todos agouros da noite escura. Augusto carregava seu pés lentamente ao destino planejado, arrastando-os na neve, marcando-a como trator.
Aproximadamente às 23:59, Augusto estava de pé, com seu alcatrão cilíndrico no lábio, seguido de tragos fortes de vodca barata e russa. Logo após de trinta segundos, ele já estava no meio do caminho entre a ponte e o rio. Seu corpo em queda livre, o ar tirando-lhe a roupa aos poucos e um forte baque marcara o fim de 31 anos seguidos de boemia e desconserto.
Ao Norte da Europa nascia Syyskuu para o mundo, às 0 hora, para o mundo.
[NOTA: Syyskuu significa Setembro em Finlandês]
Dentro de si, brotavam fetos, com diversos nomes e faces, que choravam ao conhecer os raios solares.
Augusto tinha a principal vontade de se tornar o ser mais infinito enquanto estivesse vivo, mais intenso quanto os outros, mais marcado pelas cicatrizes do medo de não ter medo.
Ao fim da tarde, pegou seus pertences, dentro de um livro que havia sido moldado para lhe servir de cofre quando aberto, seus vícios e seus olhares de perdição.
Atravessou a rua de sua casa, perguntou a qualquer humano que andasse por ali, onde havia uma ponte e um rio fundo. Esperou-se então a resposta e a direção fora obtida.
Alguns passos foram dados enquanto o frio consumia as narinas avermelhadas e a respiração esfumaçada.
Seu traje o protegia de todos agouros da noite escura. Augusto carregava seu pés lentamente ao destino planejado, arrastando-os na neve, marcando-a como trator.
Aproximadamente às 23:59, Augusto estava de pé, com seu alcatrão cilíndrico no lábio, seguido de tragos fortes de vodca barata e russa. Logo após de trinta segundos, ele já estava no meio do caminho entre a ponte e o rio. Seu corpo em queda livre, o ar tirando-lhe a roupa aos poucos e um forte baque marcara o fim de 31 anos seguidos de boemia e desconserto.
Ao Norte da Europa nascia Syyskuu para o mundo, às 0 hora, para o mundo.
[NOTA: Syyskuu significa Setembro em Finlandês]
sexta-feira, 2 de julho de 2010
estranhamento casual
Ah! Quanto tempo sem poder gritar aos ventos o que eu deveria ser quando crescer. Quanto tempo perdi olhando na vitrine algum tipo de modelo sobre meu futuro. Não estou aguentando mais essa vida monótona e planejada onde eu tenho que ser na mesma cena o protagonista e o coadjuvante ouvinte que fica lá apenas quieto escutando os dizeres do principal que reclama de tudo.
Seria uma carta pessoal, senão fosse jogada ao lixo como agrado ao passado. Continuava em outro pedaço com início de cinzas no seu canto direito inferior:
Me dê mais pulmões pra eu poder gritar mais alto e cada vez mais tempo, eu realmente quero isso. mas sinto que não seja possível, pois minha válvula de escape acabou de ser destruída por meus compromissos. Não tenho nem mais voz, nem mais vontade de tê-la, pois senão teria que responder aos imperativos vomitados em minha face frente a um homem ao qual não aspiro ser.
Sem sim senhores tudo parece mais fácil, mais confortável, mais humanos, menos hierárquico.
Além desses todos meus gritos marcados por letras ao invés de perturbações no ar, está meu estranhamento com o mundo a qual pertenço. Pois não sei ao certo se sou parte dele, ou ele é parte de mim. Se eu criei tudo isso e apaguei minha memória pra poder ter surpresas todo dia, ou eu apenas fui criado por alguém que quer ter surpresas todo dia.
Se queres saber, não sei nada sobre ninguém e ninguém sabe sobre o nada que sei.
Só sei que não devo mais ser escravo de meus próprios delírios, eu tentarei escravizá-los com minha vontade.
Seria uma carta pessoal, senão fosse jogada ao lixo como agrado ao passado. Continuava em outro pedaço com início de cinzas no seu canto direito inferior:
Me dê mais pulmões pra eu poder gritar mais alto e cada vez mais tempo, eu realmente quero isso. mas sinto que não seja possível, pois minha válvula de escape acabou de ser destruída por meus compromissos. Não tenho nem mais voz, nem mais vontade de tê-la, pois senão teria que responder aos imperativos vomitados em minha face frente a um homem ao qual não aspiro ser.
Sem sim senhores tudo parece mais fácil, mais confortável, mais humanos, menos hierárquico.
Além desses todos meus gritos marcados por letras ao invés de perturbações no ar, está meu estranhamento com o mundo a qual pertenço. Pois não sei ao certo se sou parte dele, ou ele é parte de mim. Se eu criei tudo isso e apaguei minha memória pra poder ter surpresas todo dia, ou eu apenas fui criado por alguém que quer ter surpresas todo dia.
Se queres saber, não sei nada sobre ninguém e ninguém sabe sobre o nada que sei.
Só sei que não devo mais ser escravo de meus próprios delírios, eu tentarei escravizá-los com minha vontade.
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