Ah! Quanto tempo sem poder gritar aos ventos o que eu deveria ser quando crescer. Quanto tempo perdi olhando na vitrine algum tipo de modelo sobre meu futuro. Não estou aguentando mais essa vida monótona e planejada onde eu tenho que ser na mesma cena o protagonista e o coadjuvante ouvinte que fica lá apenas quieto escutando os dizeres do principal que reclama de tudo.
Seria uma carta pessoal, senão fosse jogada ao lixo como agrado ao passado. Continuava em outro pedaço com início de cinzas no seu canto direito inferior:
Me dê mais pulmões pra eu poder gritar mais alto e cada vez mais tempo, eu realmente quero isso. mas sinto que não seja possível, pois minha válvula de escape acabou de ser destruída por meus compromissos. Não tenho nem mais voz, nem mais vontade de tê-la, pois senão teria que responder aos imperativos vomitados em minha face frente a um homem ao qual não aspiro ser.
Sem sim senhores tudo parece mais fácil, mais confortável, mais humanos, menos hierárquico.
Além desses todos meus gritos marcados por letras ao invés de perturbações no ar, está meu estranhamento com o mundo a qual pertenço. Pois não sei ao certo se sou parte dele, ou ele é parte de mim. Se eu criei tudo isso e apaguei minha memória pra poder ter surpresas todo dia, ou eu apenas fui criado por alguém que quer ter surpresas todo dia.
Se queres saber, não sei nada sobre ninguém e ninguém sabe sobre o nada que sei.
Só sei que não devo mais ser escravo de meus próprios delírios, eu tentarei escravizá-los com minha vontade.
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