roupas de frio e um pouco de agasalhos mostravam a silhueta de uma criança com a mão estendida para o nada. era frio e divino, de um tom branco tão alvo quanto as asas das gaivotas que povoavam os céus naquele momento de alguns segundos de incompreensão.
eram duas vozes que brotavam do menino, uma dizia bom dia e a outra pedia ajuda por não saber onde estar. a primeira esboçava um sorriso e a outra abria a boca juntamente com a contração dos olhos enquanto uma lágrima caía abrindo espaço em seu rosto. era cedo, por volta de quinze minutos antes de tudo se corromper com o passar de um homem numa bicicleta.
a cena, assistida por todas as rochas que viviam levando surras do mar, era morta e de uma vivassidade paradoxal. o menino do gorro vermelho ficava respirando aos poucos e sua expiração trazia consigo riscos no ar de vapor gélido d'água.
nada parecia suficientemente bom enquanto o sorriso permanecia aberto e a lágrima de sofrimento não tocava o chão.
aos poucos, a silhueta única ganhou a companhia do tilintar dos sinos de uma bicicleta.
um velho, com vestimentas antigas e de boina que cheirava guardado, chegou ao menino e oferecendo-lhe a mão disse que "se não fosse você, juraria que estava morto e ninguém veio me ver. somente as gaivotas, as rochas e minha bicicleta".
a lágrima tocou o chão, o velho abraçou o menino e ambos deixaram de ser silhuetas e deu pra notar que eram apenas movimentos da fumaça de alguém que fumava perto da praia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário