ao lado da mão direita, um copo de algo destilado pra poder acabar com a coceira na garganta que teve pela semana inteira. uma tosse seca como a da porta do seu quarto quando aberta.
seu relógio não tinha ponteiros, pois ele mesmo dizia que ter horas pras coisas era extremamente humano, queria se distanciar deste lado pobre que o mantinha preso às coisas que mais lhe agradavam. o toque. o cheiro. o ser.
tinha em seus fios de cabelo, vontade de arrepios, em seus lábios o gosto de um doce estranho que lhe dava calafrios por ser azedo no fim.
a monotonia não era mais a mesma desde alguns tempos, parara de ser tão excitante quanto fora nos seus tempos boêmios.
as lembranças das luzes cruas que lhe diziam como fora sua voz ontem mostravam que mesmo sem os ponteiros, as engrenagens rodavam fazendo tic tac a cada olhadela pelo passado.
suas medidas deixaram de ser as mesmas, o fato de ter ganho conhecimento lhe pesara agora demasiadamente.
os olhos profundos mostravam que seu sono era inquieto, vivia acordando à noite, pra cutucar o pé de seu dono com uma pena das asas de sua liberdade.
os pés gelados, abraçavam as meias e o sapato, que em conjunto se mexiam aleatória e desesperadamente no banco do bar de balcão alto.
frio. frio. dores constantes de memória. olhos lacrimejantes, respiração alterada e escorrer nasal seguido de mão no rosto.
um tubo cilíndrico e pequeno que continha nicotina, alcatrão e seus artefatos usados para poderem expurgar seus demônios internos, fora aceso ao som de utensílios metálicos geradores de faísca.
a tosse, o bafo controlado de inferno e o copo interminável.
ao seu lado, somente a vontade de se solidificar ali por alguns segundos mais.
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